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BOTECO É LUGAR DE MULHER!

Há anos, os botecos eram considerados um reduto de sociabilidade masculina — e, muitas vezes, proibidos para as mulheres. Se você não sabia disso, provavelmente é porque não tem a minha idade. Pergunte para a sua mãe ou para a sua avó. O ponto é: do estigma de ser um “lugar só para homens”, os botecos são hoje também um espaço das mulheres. E digo mais: são elas que movimentam o negócio, fazendo a economia girar. E sabe por quê?

Temos dois pontos importantes aqui. O primeiro é porque são elas que mais se arriscam a provar. Exatamente: provar! Os homens têm como característica beberem sempre a mesma coisa, geralmente cerveja, e, se vão comer, também não fogem do já conhecido. Já as mulheres não. Elas ousam e querem ser surpreendidas com novidades. Estão mais abertas a provar novas bebidas e drinks e mais atentas às mudanças dos cardápios em relação ao que vão degustar.

O segundo ponto é que, segundo dados de um estudo inédito da Abrasel (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes), com base em informações da Receita Federal e do IBGE, as mulheres representam cerca de 54% da força de trabalho formal no setor de alimentação fora do lar — que inclui bares, botecos e restaurantes. Entre os trabalhadores informais, essa participação chega a 56%. Isso indica que as mulheres não apenas estão presentes, mas são a maioria da mão de obra nesse segmento.

Ouso dizer que hoje os botecos são das mulheres, bebê! E são as pesquisas que confirmam essa informação.

A cultura do bar e, posteriormente, dos botecos no Brasil tem raízes no período colonial e no pós-1808, quando a chegada da família real portuguesa introduziu costumes europeus de socialização em tavernas e estabelecimentos similares. O termo “boteco” deriva de “botica” ou “bodega”, referindo-se originalmente a uma venda ou armazém que acabou se transformando em local de bebidas e socialização popular. Ao longo do século XX, especialmente após a Revolução dos Costumes*, esses espaços tornaram-se pontos de encontro populares, marcados pela exclusão das mulheres e pela sociabilidade masculina, para, posteriormente, se transformarem em centros de convivência cultural e social mais amplos.

Podemos dizer que, de lá para cá, muita coisa mudou nesses espaços, inclusive arquitetonicamente. Os lugares eram considerados escuros, feios, malcheirosos e havia apenas um único banheiro — o que impedia (e com toda razão!) que as mulheres pudessem frequentá-los. Hoje, existe um trabalho consistente para promover ambientes mais acolhedores e seguros para clientes e colaboradoras, fator importante para a evolução dos espaços de convivência pública.

Mulheres, independentemente da forma de atuação — como empresárias e/ou consumidoras —, contribuíram para o desenvolvimento e crescimento do setor. Conforme os estudos apontam, elas não são apenas parte desse universo: são maioria no trabalho formal e possuem presença relevante também como sócias. Isso reflete uma transformação importante. O setor deixou de ser um ambiente dominado exclusivamente por homens e hoje é gerido e frequentado por mulheres em larga escala.

É por isso que volto à afirmação feita no título deste texto: o lugar das mulheres também é no boteco! E completo: de salto alto, lindas, cheias de ideias, estratégia, olhar para os negócios e estilo! Reforço o uso do “também” por acreditar que homens e mulheres podem, sim, caminhar juntos.

A Revolução dos Costumes é um termo usado para descrever um processo profundo de transformações sociais, culturais e comportamentais que ocorreu principalmente a partir das décadas de 1950 e 1960, com reflexos diretos no Brasil e no mundo ocidental. Não se trata de um evento único, mas de um movimento histórico. Um dos principais fatores que impulsionaram a Revolução dos Costumes foi o movimento feminista.

BOTECO É LUGAR DE MULHER!
Luciana Siqueira

Luciana Siqueira – é jornalista e publicitária por formação, com uma trajetória profissional que ultrapassa os títulos e se consolida pela capacidade de transformar comunicação em estratégia, relacionamentos em oportunidades e histórias em reputação. Há mais de 25 anos atua na construção de imagens sólidas, no fortalecimento de marcas e no desenvolvimento de projetos que conectam pessoas, cultura e propósito.

Ao longo de sua carreira, trabalhou com planejamento estratégico de comunicação, gestão e preservação de reputações, desenvolvimento de novos negócios e parcerias, além da concepção, curadoria e coordenação de eventos de grande porte e projetos culturais. Sua atuação atravessa diferentes segmentos — varejo, engenharia ambiental, tecnologia, gastronomia, beleza, moda, cultura, lifestyle, esporte e grandes corporações — sempre orientada pela premissa de comunicar com verdade e gerar valor real.

É idealizadora e curadora do Leitura no Parque, um clube de encontros literários gratuitos realizado no Parque do Ibirapuera, em São Paulo. O projeto tem como propósito democratizar o acesso à literatura, levando o livro para espaços abertos, quebrando paradigmas sobre onde e como se lê, criando novos territórios de encontro literário e fortalecendo a cena cultural independente. O Leitura no Parque valoriza autores brasileiros, especialmente autores independentes, contribui para a formação de público leitor e promove a literatura como experiência coletiva, acessível e transformadora.

À frente da Imagem Comunicação por 14 anos, Luciana construiu uma agência reconhecida por cocriar com seus clientes novas formas de presença, narrativa e posicionamento. Dessa experiência nasce a GUE Conta, sua agência de comunicação estratégica, que une repertório, sensibilidade cultural e visão de futuro para colocar cada história em seu melhor lugar, com propósito, consistência e impacto.

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