A proteína na indústria de alimentos deixou de ser nicho e passou a orientar lançamentos em categorias como snacks, café, água e cereais. Impulsionadas por dietas de alta ingestão proteica, redes sociais e pelo avanço dos medicamentos GLP-1 para perda de peso, empresas aceleram o desenvolvimento de produtos enriquecidos com o nutriente.
O movimento já impacta supermercados, foodservice e cadeias globais de suprimentos.
A reportagem do Financial Times, publicada pela Folha de São Paulo, mostra como a proteína se tornou eixo estratégico para grandes grupos de alimentos e bebidas .
Snacks, café e até água com proteína
A expansão da proteína na indústria de alimentos é visível nas prateleiras. Hoje, o mercado já oferece bagels, barras de chocolate, cereais matinais e até água engarrafada com adição do nutriente.
Redes como Starbucks e Dunkin’ passaram a incluir doses extras de proteína nas bebidas. O Chipotle lançou um cardápio focado em alto teor proteico, com porções de carne que variam de 15 a 81 gramas.
A PepsiCo anunciou Doritos Protein e uma água chamada Propel Clear Protein, com proteína, eletrólitos e fibras. A Coca-Cola investe US$ 650 milhões em uma nova fábrica em Nova York para ampliar a produção da Fairlife, marca de leite filtrado com maior teor proteico.
Demanda cresce acima do mercado
Dados da NielsenIQ indicam que as unidades vendidas de produtos com alegação de alto teor proteico cresceram 4,6% nos Estados Unidos no último ano, em um contexto de vendas estagnadas em diversas categorias.
Na plataforma Keychain, que conecta marcas a fabricantes terceirizados, buscas por fornecedores de produtos com proteína aumentaram 64% no último trimestre de 2025 frente ao mesmo período do ano anterior.
A consultoria Barclays estima que a demanda global por proteína pode crescer 37% nos próximos cinco anos, com maior adesão a medicamentos para emagrecimento e disseminação de hábitos saudáveis em mercados emergentes.
Pesquisa da Ingredion aponta que mais de dois terços dos consumidores aceitariam pagar de 5% a 30% a mais por produtos com alegação de alto teor proteico.
GLP-1 e redes sociais ampliam consumo
O avanço dos medicamentos GLP-1 para perda de peso também influencia a proteína na indústria de alimentos. Esses fármacos podem reduzir a ingestão alimentar e levar à perda de massa muscular, o que aumenta o interesse por dietas com maior teor proteico.
Nos Estados Unidos, diretrizes recentes sugerem ampliar a ingestão de proteína, defendendo sua presença em todas as refeições, de fontes animais e vegetais .
Ao mesmo tempo, especialistas alertam que parte da população já consome proteína acima do necessário, o que pode elevar riscos associados ao excesso calórico.
Impacto na cadeia de lácteos e ingredientes
A alta da proteína na indústria de alimentos já pressiona matérias-primas. O preço do soro de leite (whey) subiu mais de 60% no último ano, segundo analistas citados na reportagem.
O que antes era subproduto da produção de queijo passou a ocupar posição estratégica na indústria. Marcas como Fairlife, Oikos (Danone) e Chobani figuram entre as que mais cresceram em 2025, segundo a Numerator.
Por outro lado, o desempenho das alternativas vegetais à carne não acompanhou o mesmo ritmo. As vendas da Beyond Meat recuaram desde 2021, e a empresa lançou recentemente uma bebida proteica como estratégia de diversificação.
Para a indústria de alimentos, bebidas e ingredientes, a consolidação da proteína na indústria de alimentos aponta para oportunidades em reformulação, alegações nutricionais, inovação em formatos e reorganização da cadeia de suprimentos.


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