Com a consolidação do delivery como um dos principais canais de venda do food service, as embalagens deixaram de ser apenas um item operacional para ocupar um papel estratégico dentro do negócio. Hoje, não basta apenas transportar com eficiência. As embalagens falam, e, muitas vezes, comunicam como os bares, restaurantes e afins se posicionam diante de temas como sustentabilidade e responsabilidade ambiental.
Não dá para negar: a redução do uso de plásticos é urgente. Neste cenário, cresce o interesse dos integrantes do food service por soluções mais sustentáveis em embalagens, que conciliem desempenho, viabilidade econômica e impacto reduzido ao meio ambiente.
Para entender como essa escolha tem sido feita na prática – dos bastidores da produção às operações que já adotam o modelo –, nós da Rede Food Service ouvimos especialistas e empresários que lidam diariamente com esse desafio no mercado de alimentação fora do lar. Confira!
O QUE SÃO EMBALAGENS SUSTENTÁVEIS?
Andreza Lago, Sócia Diretora da Produz Soluções, consultoria especializada em negócios de alimentação existente há 10 anos, com trabalhos em todo o Brasil, indo desde empreendimentos já existentes até operações inauguradas do zero, explica que, para entender o que torna uma embalagem realmente sustentável dentro do delivery, é preciso pensar no ciclo completo percorrido por aquele produto. “Estamos falando de uma matéria-prima de menor impacto ambiental, da possibilidade real de reciclagem ou compostagem, do bom desempenho térmico e da funcionalidade adequada ao produto final.”
Ou seja, não é possível definir uma embalagem sustentável unicamente pelo material utilizado, já que o uso correto dentro da operação também deve ser levado em conta. Uma embalagem sustentável deve reduzir impactos ambientais sem comprometer a segurança do alimento, a operação do delivery e a experiência do cliente.
CUSTO COMO ENTRAVE PARA AS EMBALAGENS SUSTENTÁVEIS
O custo pode, sim, ser apontado como um importante entrave na adoção de embalagens sustentáveis em uma operação de delivery, especialmente a curto prazo. Isso porque, em termos gerais, embalagens desse tipo ainda podem ter um valor unitário mais alto do que as convencionais, principalmente quando o volume de compra é menor ou quando o fornecedor atua em nichos específicos.

Em um setor que, muitas vezes, já opera com margens apertadas, esse aumento imediato pode pesar na decisão. Porém, é preciso analisar o tema de forma mais ampla, uma vez que, em muitos casos, a adoção de embalagens de menor impacto ambiental vem acompanhada de ganhos indiretos, como redução de desperdícios, melhor adequação ao produto transportado, menos reclamações no delivery e até o fortalecimento da marca junto a um consumidor mais atento a práticas responsáveis.
Lago concorda que os custos de se adotar embalagens sustentáveis pesam. No entanto, para a especialista, o maior entrave desse processo é a falta de planejamento. “Quando a escolha da embalagem não é integrada ao cardápio, ao ticket médio e à logística do delivery, o impacto financeiro, na prática, é bem maior do que parece. Além disso, a experiência do cliente também pode ser comprometida”, aponta.
Então, fica a dica: com escala, planejamento e escolha correta do material, o custo das embalagens sustentáveis tende a se diluir e, em alguns cenários, a diferença de preço deixa de ser um fator decisivo dentro da operação.
ERROS MAIS COMUNS NA TRANSIÇÃO PARA EMBALAGENS SUSTENTÁVEIS
O processo de migração das embalagens tradicionais para as sustentáveis pode ser um período de desafios para os operadores. Na prática, no dia a dia do negócio, é possível que alguns erros comprometam a operação, o custo e até a experiência do cliente.

Por isso, Lago dá algumas dicas para quem está se preparando para esse movimento ou fez a migração recentemente: “Não troque apenas o material, avalie também o desempenho térmico, a resistência e a compatibilidade com o produto. É necessário fazer muitos testes antes, avaliando vazamento, umidade, perda de qualidade e retrabalho. Essa embalagem também precisa se conectar com o branding, ambiente e estrutura física do negócio”, alerta.
SUSTENTABILIDADE E SEGURANÇA DOS ALIMENTOS
Ainda segundo Lago, para equilibrar sustentabilidade e segurança dos alimentos no delivery, o operador precisa tomar alguns cuidados. O principal deles é a escolha de embalagens certificadas para uso alimentar, “que preservem temperatura, evitem contaminação e mantenham a integridade do produto. Sustentabilidade não pode comprometer higiene, vedação ou conservação”, aponta a especialista.
PERCEPÇÃO DE VALOR DAS EMBALAGENS SUSTENTÁVEIS
Mas, será que o consumidor final realmente percebe e valoriza a iniciativa dos operadores em utilizar embalagens sustentáveis no delivery? Para Lago sim, e cada vez mais.
De acordo com ela, a experiência tende a ser associada a cuidado, responsabilidade e qualidade do negócio. “Quando o uso é coerente e bem comunicado, o cliente percebe a diferenciação, o que influencia na decisão de compra e na fidelização.”
TENDÊNCIAS PARA EMBALAGENS SUSTENTÁVEIS
Deseja ficar de olho no que está vindo por aí dentro do mercado de embalagens ecoeficientes para delivery? Lago adianta algumas tendências que devem se popularizar nos próximos anos no food service:
- embalagens com menos material
- designs inteligentes
- uso de insumos biodegradáveis ou recicláveis
- padronização de formatos
- soluções que reduzam resíduos sem prejudicar a experiência do delivery
- reutilização de embalagens no dia a dia, como decoração, por exemplo
PRODUÇÃO DE EMBALAGENS SUSTENTÁVEIS
Rodrigo Oliveira é Sócio e Diretor de Produção da Colorata Packing, uma fábrica de embalagens voltada para o mercado de alimentos, que, em fevereiro deste ano de 2026, completará 15 anos de mercado.

Com foco no food service, a empresa atua, principalmente, junto a restaurantes, confeitarias, pizzarias, sushis, hamburguerias e indústrias. “Trabalhamos com papéis homologados para contato direto e indireto com alimentos, com tintas atóxicas e apropriadas, e plásticos livres de BPA. Na Colorata, desenvolvemos várias soluções para delivery, encomendas, entregas e ainda há linhas presenteáveis”, esclarece.
Ele aponta que as peças produzidas pela empresa focam na performance, no bom acondicionamento dos alimentos e na preservação da temperatura. “É importante que a embalagem escolhida tenha a característica adequada para cada tipo de produto. Frituras exigem certas condições, alimentos gelados outras, por exemplo.”
Hoje, entre as opções sustentáveis oferecidas pela empresa, Oliveira destaca:
- sacos (sem alça)
- sacolas (com alça) de papel
- bandejas seladas para refeição antivazamento, com ou sem divisórias
- embalagens para sushi em diversos tamanhos, modelos e acabamentos
- caixas para frituras e para pizzas
- papéis manteiga
- duofresh
- caixas e discos para tortas, doces e salgados
“Nosso grande diferencial é que não temos modelos fixos. Moldamos os formatos de acordo com a necessidade do cliente, garantindo resistência, acondicionamento, isolamento térmico e personalização, além de apelo visual, pois, isso também agrega valor e melhora a experiência de consumo”, explica.
Sérgio Guimarães Filho, Diretor Comercial da Macropac, uma das maiores distribuidoras de embalagens para alimentos do Nordeste, que completará 40 anos de funcionamento neste ano, afirma que a empresa já passou por todas as evoluções do mercado. “Vivenciamos desde as embalagens de alumínio até o mercado como o conhecemos hoje. A nossa busca por soluções para nossos clientes sempre foi nossa maior força”, diz.

Hoje, a Macropac dispõe de uma das maiores linhas de embalagens sustentáveis do Nordeste. Os produtos contam com selo Bio+ da Meiwa, que são embalagens testadas e tem todo o seu processo de biodegradação acompanhado em laboratórios americanos. “Buscando realmente ter um cuidado com o meio ambiente, mas sem esquecer de oferecer um produto que realmente caiba no bolso dos donos de restaurantes”, aponta Filho.
Ele afirma ainda que a empresa entende que a melhor solução para o plástico ou qualquer outro recurso natural é a reciclagem, já que esse processo devolve a matéria-prima para a cadeia produtiva. “Mas, sabemos que nem sempre é possível e, por isso, as embalagens Meiwa, mesmo sendo biodegradáveis, são recicláveis, diferente de muitas embalagens que vemos no mercado que tem sua reciclagem economicamente inviável.”
Um fator importante dentro da economia circular, já que as novas regras federais no Brasil (Decreto 12.688/2025) estabelecem metas obrigatórias para a logística reversa e reciclagem de embalagens plásticas, visando alcançar 32% de reciclagem em 2026 e 50% até 2040.
O MEIO AMBIENTE AGRADECE
Aldiana do Rego Barros, Sócia na Colorata Packing, explica que as embalagens de papel têm um ciclo sustentável bastante inspirador, principalmente nos dias de hoje. “Precisamos estar atentos aos descartes que serão feitos nos próximos anos.”

Ela aponta que a cadeia sustentável da embalagem de papel, por exemplo, já começa na matéria-prima principal, pois, a extração legal da celulose evita o desmatamento de florestas nativas.
É válido registrar que, atualmente no Brasil, a maior parte da celulose usada para papel e embalagens vem de florestas plantadas e cultivadas justamente para esse fim, em áreas licenciadas. Ou seja, quando o processo é feito de forma correta, há ciclo de plantio, manejo e replantio. “Além disso, a biodegradação da embalagem de papel no meio ambiente é extremamente mais rápida do que uma embalagem de plástico ou isopor. Enquanto essas duram, aproximadamente, 400 anos para serem biodegradadas, uma embalagem de papel leva em torno de seis meses. É uma diferença absurda”, diz Barros.
Aldiana reforça que, hoje, na Colorata, até as aparas geradas na fabricação seguem para a reciclagem por meio de cooperativas, tornando-se caixas de papelão e papel higiênico. “Então, todo esse ciclo já é um belo motivo para seguir por esse caminho”, conclui.
Assim, quem pretende adotar embalagens de papel sustentável, deve verificar se as embalagens adquiridas possuem selos legais. E, na fabricação de produtos de papel, por exemplo, ficar de olho em certificações como a FSC (Forest Stewardship Council) e a PEFC (Programme for the Endorsement of Forest Certification), por meio do sistema nacional CERFLOR (Programa Brasileiro de Certificação Florestal). Afinal, eles garantem que a matéria-prima utilizada provém de florestas manejadas de forma responsável, socialmente benéfica e economicamente viável, assegurando rastreabilidade total da cadeia de custódia, desde a colheita sustentável até o produto final.
OUTRO CAMINHO PARA O PLÁSTICO
O plástico, realmente, se tornou um dos maiores vilões da sustentabilidade. Apesar de ser versátil e barato, estamos falando de um material que leva muito tempo – séculos – para se decompor, o que traz inúmeros prejuízos ao planeta. Porém, há uma luz no fim do túnel: os bioplásticos têm ganhado espaço no mercado.
Diferente do material convencional, que é derivado do petróleo, os plásticos biodegradáveis são desenvolvidos para se decompor mais rapidamente, o que reduz seu impacto ambiental, e ainda assim são resistentes e versáteis, além de seguros. Essa nova categoria costuma ser feita a partir de biomassa, como plantas, resíduos agrícolas e microrganismos. Os principais ingredientes incluem amido (milho, mandioca ou batata), bagaço de cana-de-açúcar, celulose, óleos vegetais e até bactérias.
MERCADO NACIONAL DE EMBALAGENS SUSTENTÁVEIS
À frente da Colorata, Oliveira aponta que o aumento do uso de embalagens sustentáveis foi gigante nos últimos anos, sendo ancorado na preocupação crescente com a saúde e o meio ambiente. “Em São Paulo, o uso de diversos tipos de plástico de uso único e descartável é proibido em estabelecimentos comerciais, como restaurantes, bares, padarias, hotéis e etc, desde 2021. Em Fernando de Noronha, desde 2019, está proibida a entrada, comercialização e uso de embalagens e recipientes descartáveis de plástico ou isopor… A pandemia da Covid-19 acelerou o acesso e o consumo do delivery, daí, esse crescimento.”

Diante desse cenário, ele explica que, da pandemia de Covid-19 para cá, a Colorata já cresceu mais de três vezes em tamanho para poder dar suporte ao setor e fomentar o mercado de food service. “E esse crescimento deve continuar. A Carta Capital diz que o mercado brasileiro de delivery deve crescer mais de 7% ao ano até 2029. A Colorata teve, em 2025, um crescimento de 35% e, apesar dos desafios, estamos confiantes que este ano teremos um avanço semelhante ou ainda melhor”, explica Oliveira.
O empresário afirma ainda que sempre busca se atualizar para acompanhar as tendências e novidades do mercado de embalagens sustentáveis. “Fomos pioneiros na oferta de caixas redondas para pizza e embalagens seladas antivazamento e violação para o nosso segmento de food em Pernambuco. Na empresa, trabalhamos em cima das maiores dores dos nossos clientes e estamos estudando aprimoramentos constantes, além de novas soluções. O objetivo é continuar evoluindo.”
Para Filho, da Macropac, a busca por embalagens sustentáveis deve sim se intensificar nos próximos anos. “É fato. Cada vez mais, vai ser exigido embalagens que, de fato, ajudem o meio ambiente”, aponta.
Pesquisas confirmam esse crescimento. Em 2023, o IFood divulgou um levantamento, conduzido pelo instituto Opinion Box, que apontou que 76% dos clientes consideram importante ver na embalagem algum selo que comprove a sustentabilidade. Das pessoas ouvidas, 54% afirmaram que priorizam pedidos em restaurantes que tenham embalagens sustentáveis para o envio da comida.
E há mais dados interessantes: 54% dos consumidores acreditam que embalagens de papel e/ou compostáveis são as mais sustentáveis, estando entre as preferidas de 41% do público. Assim como, 94% das pessoas concordam que a vedação da embalagem é o mais importante. A facilidade de descarte é relevante para 8 em cada 10 consumidores.
Os dados foram obtidos por meio de entrevistas online com 1.112 pessoas.
APLICAÇÃO DAS EMBALAGENS SUSTENTÁVEIS NA PRÁTICA
GRUPO DRUMATTOS
Fernando Tannus, que atua como Gerente de Delivery Brasil do Grupo Drumattos, responsável pela rede de restaurantes Camarada Camarão – marca especializada em pratos à base de peixes e frutos do mar que existe desde 2005, hoje, com unidades localizadas em espaços gourmet de alguns dos principais shoppings do país – explica que, ao definir as embalagens que seriam utilizadas no delivery da marca, buscou produtos que fossem fáceis de se manusear e que se adequassem aos pratos do cardápio. “E, preferencialmente, de papel, com resistência à variação de temperatura. Assim, não perderíamos qualidade durante a entrega para proporcionar ao cliente a melhor experiência Camarada.”
Para isso, Tannus buscou fornecedores que fizessem embalagens produzidas com matéria-prima de fontes renováveis, certificadas para o contato com os alimentos, seladas, com sistema antivazamento e 100% recicláveis.

Ele destaca alguns pontos observados durante a escolha: “Analisamos quesitos como tinta à base de soja, produção feita a partir de energia solar, carbono neutro, papel certificado para contato direto com o alimento, a existência de laudos e legislações que atestam todo o processo de produção e ainda se as embalagens poderiam ser pré-aquecidas no micro-ondas, forno elétrico ou convencional”, detalha.
Cabe destacar que o uso de grampeadores para o fechamento dos sacos também foi abolido na rede Camarada Camarão.
Nesse sentido, o Gerente explica que a troca das embalagens convencionais pelas sustentáveis não trouxe custos a mais para a operação. Ao contrário. “Em média, comparado com outras experiências com fornecedores diferentes, conseguimos uma redução nos custos na ordem de 30%”, revela Tannus.
A satisfação dos clientes, de acordo com ele, também foi notável. “Os clientes do Camarada conhecem a excelência dos nossos pratos e perceberam que a mesma qualidade que os encantou em nossos salões, também estava presente na comodidade e conforto do nosso delivery. Temos indicadores de qualidade para medirmos a satisfação dos nossos consumidores, e isso nos guia a sempre buscar excelência no atendimento. Assim, temos os melhores índices de satisfação de mercado na categoria de restaurantes de frutos do mar.”

Nessa transição, Tannus comenta que algumas adaptações foram necessárias. Para garantir a melhor execução no preparo dos pratos, os restaurantes passaram a contar com espaços específicos para montagem e fechamento das embalagens, além da inclusão de equipamentos indicados para esse fim. “Nossos estoques foram aproveitados, garantindo estoque mínimo e suporte de entregas feitas diretamente pelo fornecedor. De acordo com a sazonalidade do nosso mercado, aumentamos ou diminuímos esses pedidos, sempre conforme a oscilação de consumo em nossos restaurantes”, explica.
Na opinião do Gerente, adotar embalagens sustentáveis no delivery é um importante diferencial competitivo, além de mostrar alinhamento com causas ambientais. “É fundamental termos preocupação e cuidado com o meio ambiente, não somente para estarmos de acordo com a legislação vigente, mas também para podermos entregar a melhor experiência de consumo possível.”
DEGUTTI RESTAURANTE CAFÉ E COWORKING
Além das grandes redes, estabelecimentos menores também têm buscado por embalagens mais sustentáveis em suas entregas. É o caso do Degutti Restaurante Café e Coworking, que possui duas unidades em funcionamento em Pernambuco, uma na capital, Recife, e outra no município de Tamandaré, Litoral Sul do Estado.
De acordo com Pâmela Nicola, empresária e Diretora do Degutti, hoje, o negócio só utiliza embalagens biodegradáveis e recicláveis, principalmente em pedidos de delivery, com o transporte de refeições, sanduíches, sobremesas e itens de confeitaria. “Buscamos materiais que mantenham a qualidade do alimento, que sejam seguros para o transporte e, ao mesmo tempo, tenham menor impacto ambiental em comparação às embalagens plásticas convencionais.”

Nicola explica que a decisão de parar de trabalhar com as embalagens tradicionais veio a partir de uma soma de fatores, o que passa por responsabilidade ambiental e coerência com os valores do negócio. “O delivery cresce ano após ano e, com ele, o volume de resíduos. Entendemos que, como operadores de food service, temos um papel ativo na redução desse impacto, adotando soluções mais conscientes sem comprometer a experiência do cliente”, explica.
Quando o assunto são os custos envolvidos na troca, ela esclarece que houve sim um impacto inicial, já que as embalagens sustentáveis ainda têm um valor mais elevado. “Porém, encaramos esse investimento como parte da estratégia do negócio. Com o tempo, conseguimos ajustar os processos, negociar volumes e diluir esse custo, entendendo que sustentabilidade não é gasto, é posicionamento”, define.
Para Nicola, a estratégia tem funcionado. Ela afirma que os clientes percebem e valorizam a iniciativa. “Muitos, inclusive, comentam espontaneamente sobre o assunto, principalmente quando a embalagem traz informações claras sobre ser sustentável. Existe uma consciência crescente do consumidor, que se sente mais confortável em consumir de marcas alinhadas a práticas responsáveis.”
Entre os ajustes necessários para consolidar a migração das embalagens convencionais para as sustentáveis, Nicola destaca mudanças no armazenamento e no cuidado com o transporte, já que algumas embalagens sustentáveis podem ser mais sensíveis à umidade e ao calor. “Foi necessário testar fornecedores, formatos e rotinas até encontrar soluções eficientes para o dia a dia da operação”, pontua.
Nicola finaliza ao explicar que, em sua opinião, adotar embalagens sustentáveis dentro do delivery e no food service em geral é, hoje, uma necessidade. “O diferencial passa a ser como essa sustentabilidade é aplicada de forma real e consistente. No nosso caso, além das embalagens, utilizamos energia solar, fazemos a separação correta de plástico, latas e papelão para coleta por catadores e buscamos pequenas ações diárias, que, somadas, geram impacto positivo. O consumidor percebe quando a sustentabilidade faz parte da cultura da empresa e não apenas do discurso.”


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