Bebidas

Mais brasileiros evitam o álcool e fabricantes se reposicionam

Mais brasileiros evitam o álcool, e essa mudança de comportamento já provoca um reposicionamento claro da indústria de bebidas. Dados recentes mostram o avanço consistente da parcela da população que declara não consumir álcool, movimento que pressiona fabricantes a diversificar portfólios, rever estratégias de marketing e ampliar a oferta de bebidas sem álcool ou com baixo teor alcoólico.

Segundo pesquisa Ipsos-Ipec encomendada pelo Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (Cisa), o percentual de brasileiros que afirmam não beber passou de 55% em 2023 para 64% em 2025. O crescimento é mais acentuado entre jovens de 18 a 24 anos, faixa em que a proporção saltou de 46% para 64% no mesmo período.

Mudança cultural redefine relação com o álcool

Especialistas apontam que o avanço de pessoas que evitam o álcool reflete uma transformação cultural. Entre gerações mais jovens, a bebida deixa de ser associada ao relaxamento e passa a ser percebida como um fator de risco à saúde, ao desempenho e à trajetória profissional.

O movimento também é influenciado por um contexto de maior pressão social e econômica, marcado por ansiedade, instabilidade no mercado de trabalho e custo de vida elevado. Nesse cenário, comportamentos considerados potencialmente prejudiciais tendem a ser evitados.

Bebidas sem álcool ganham protagonismo

Com mais brasileiros evitando o álcool, o segmento de bebidas sem álcool se consolida como o que mais cresce dentro da indústria, especialmente no mercado de cervejas. Opções com teor alcoólico reduzido também avançam como alternativa para consumidores que buscam moderação sem abrir mão da experiência social.

Para atender a esse novo perfil, fabricantes ampliam o portfólio com cervejas zero álcool, bebidas funcionais, águas saborizadas e drinques prontos com baixo teor alcoólico, além de ajustarem a comunicação para valorizar equilíbrio, convivência e consumo consciente.

Estratégias vão além da cerveja

A diversificação não se limita ao mercado cervejeiro. Vinhos, espumantes e destilados também passam por reposicionamento, com foco em ampliar ocasiões de consumo e oferecer versões sem álcool ou alinhadas à moderação.

Campanhas recentes reforçam a ideia de celebração em diferentes contextos, incluindo o cotidiano, e não apenas grandes eventos. O discurso das marcas migra do volume para o valor, priorizando experiência, identidade e clareza de posicionamento.

Consumo mais seletivo e mercado em ajuste

Embora mais brasileiros evitem o álcool, isso não significa abandono total da categoria. A tendência observada é de um consumo mais seletivo: beber menos, com mais critério e em ocasiões específicas. Esse comportamento favorece produtos premium e marcas com propostas bem definidas.

Após desafios enfrentados pelo setor em 2025, os dados indicam retomada gradual da confiança do consumidor, especialmente com a volta de eventos, festas e encontros presenciais.

Indústria se adapta a um novo ciclo

O avanço do público que evita o álcool reforça que a indústria de bebidas entra em um novo ciclo, em que flexibilidade de portfólio, inovação e leitura fina do comportamento do consumidor se tornam essenciais. Para os fabricantes, o desafio não é apenas lançar produtos sem álcool, mas integrar essas opções a uma estratégia consistente, capaz de dialogar com um consumidor mais atento, informado e exigente.

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