{"id":8758,"date":"2022-09-22T09:19:35","date_gmt":"2022-09-22T12:19:35","guid":{"rendered":"https:\/\/mundor.com.br\/blog\/?p=8758"},"modified":"2022-09-22T09:19:39","modified_gmt":"2022-09-22T12:19:39","slug":"alimentacao-a-base-de-vegetais-pode-reverter-a-trajetoria-das-mudancas-climaticas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mundor.com.br\/blog\/pt-br\/2022\/09\/22\/alimentacao-a-base-de-vegetais-pode-reverter-a-trajetoria-das-mudancas-climaticas\/","title":{"rendered":"Alimenta\u00e7\u00e3o \u00e0 base de vegetais pode reverter a trajet\u00f3ria das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Um novo estudo publicado pela PLOS Climate mostra que se a produ\u00e7\u00e3o global de carne e latic\u00ednios for gradualmente reduzida at\u00e9 zerar durante os pr\u00f3ximos 15 anos, ser\u00e1 o mesmo que &#8220;cancelar&#8221; as emiss\u00f5es de gases de efeito estufa (GEE) geradas por todos os outros setores econ\u00f4micos por 30 a 50 anos<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>No final de 2020, uma pesquisa publicada na revista Science mostrou que, mesmo se todas as emiss\u00f5es de combust\u00edveis f\u00f3sseis fossem imediatamente zeradas, seria imposs\u00edvel cumprir a meta estabelecida pelo Acordo de Paris (de limitar o aumento da temperatura terrestre a 1,5\u00b0C ou at\u00e9 2\u00b0C acima dos n\u00edveis pr\u00e9-industriais) por conta das emiss\u00f5es geradas pelo sistema alimentar global sozinho.<\/p>\n\n\n\n<p>Um artigo publicado na Nature Food indicou que se as 54 na\u00e7\u00f5es mais ricas do planeta (17% da popula\u00e7\u00e3o mundial) adotassem a dieta EAT-Lancet, que \u00e9 baseada majoritariamente em vegetais, elas poderiam reduzir suas emiss\u00f5es de CO2 em dois ter\u00e7os ou 61%.<\/p>\n\n\n\n<p>Em fevereiro de 2022, um novo estudo publicado pela PLOS Climate mostra que se a produ\u00e7\u00e3o global de carne e latic\u00ednios for gradualmente reduzida at\u00e9 zerar durante os pr\u00f3ximos 15 anos, ser\u00e1 o mesmo que \u201ccancelar\u201d as emiss\u00f5es de gases de efeito estufa (GEE) geradas por todos os outros setores econ\u00f4micos por 30 a 50 anos. Ou seja: uma transi\u00e7\u00e3o progressiva para um sistema alimentar global baseado em vegetais tem a capacidade de, em pouco mais de uma d\u00e9cada, zerar a quantidade de GEE que todas as ind\u00fastrias, transportes e o setor energ\u00e9tico, combinados, levariam at\u00e9 mais de meio s\u00e9culo para emitir na atmosfera.<\/p>\n\n\n\n<p>O sistema alimentar vigente \u00e9 respons\u00e1vel por 34% de todas as emiss\u00f5es de GEE e a produ\u00e7\u00e3o de prote\u00edna animal, sozinha, gera mais da metade (ou 15%) desse valor. Essas emiss\u00f5es v\u00eam de v\u00e1rias fontes, mas principalmente da fermenta\u00e7\u00e3o ent\u00e9rica (processo digestivo que ocorre em animais ruminantes) e do esterco dos ruminantes (que juntos, tamb\u00e9m s\u00e3o respons\u00e1veis por 32% das emiss\u00f5es de metano no mundo), da queima de combust\u00edveis f\u00f3sseis na cadeia de produ\u00e7\u00e3o e abastecimento dos alimentos, e do desmatamento intensivo e extensivo (para abrir pastagens e para plantar os gr\u00e3os que viram ra\u00e7\u00e3o para os animais de abate).<\/p>\n\n\n\n<p>Mais de 70% de todas as terras agr\u00edcolas do mundo s\u00e3o focadas na produ\u00e7\u00e3o de alimentos para animais e 30% da superf\u00edcie terrestre s\u00e3o ocupadas pela pecu\u00e1ria. Isso significa que um ter\u00e7o de toda a terra existente no planeta \u00e9 usada para abrigar e\/ou alimentar animais que, dentro de muito pouco tempo &#8211; e em escala industrial &#8211; s\u00e3o abatidos e chegam at\u00e9 n\u00f3s como hamb\u00farguer, bife, fil\u00e9, coxa, lingui\u00e7a e in\u00fameros outros tipos de formatos e cortes. Segundo o estudo, para sustentar um sistema alimentar baseado em vegetais, seria necess\u00e1rio usar apenas 7% das terras do nosso planeta.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando se trata da contribui\u00e7\u00e3o da pecu\u00e1ria para o aquecimento global, a maioria das an\u00e1lises tende a olhar diretamente para as emiss\u00f5es do setor e deixam de lado a quest\u00e3o do uso da terra, que \u00e9 extremamente relevante. Isso porque, ao interromper a pr\u00e1tica da pecu\u00e1ria e restaurar ou \u201crenaturalizar\u201d (rewild, em ingl\u00eas) essas terras, todo o carbono que seria emitido passa a ser capturado e armazenado.<\/p>\n\n\n\n<p>O estudo publicado no in\u00edcio deste m\u00eas na PLOS Climate \u00e9 uma colabora\u00e7\u00e3o entre o professor de biologia molecular e celular da Universidade da Calif\u00f3rnia, Michael Eisen, e o professor de bioqu\u00edmica da Universidade de Stanford e CEO da Impossible Foods Inc, Patrick Brown. Importante mencionar que a Impossible Foods \u00e9 uma das grandes fabricantes de produtos vegetais substitutos de carne dos Estados Unidos, avaliada em US$4 bilh\u00f5es em 2020. Os autores exp\u00f5em esse conflito de interesse no in\u00edcio do artigo mas garantem que a ci\u00eancia \u00e9 s\u00f3lida.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas a diminui\u00e7\u00e3o gradual na produ\u00e7\u00e3o de carnes e latic\u00ednios \u00e9 vi\u00e1vel?<\/p>\n\n\n\n<p>Para Brown, as mudan\u00e7as necess\u00e1rias devem ser orientadas pelo mercado, que segundo ele, \u00e9 a institui\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00e3o mais r\u00e1pida na Terra. \u201cEsse movimento ser\u00e1 impulsionado pela escolha do consumidor do lado da demanda. Se existem produtos que fazem um trabalho melhor em entregar o que eles desejam, nada pode impedir isso\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Comprovando o que Brown diz, de acordo com o relat\u00f3rio da Research and Markets, o mercado global de carne e latic\u00ednios \u00e0 base de plantas pode alcan\u00e7ar US$ 68,7 bilh\u00f5es at\u00e9 2025, com um crescimento anual (CAGR) de 17,42%. O mercado de prote\u00edna animal tamb\u00e9m deve crescer, mas numa taxa menor do que 4% ao ano. AT Kearney, empresa l\u00edder em consultoria de gest\u00e3o, projeta que as carnes \u00e0 base de plantas representar\u00e3o 10% do mercado de carnes j\u00e1 em 2025.<\/p>\n\n\n\n<p>Os desafios j\u00e1 come\u00e7am a aparecer. Um novo relat\u00f3rio do The Good Food Institute aponta que o setor de alternativas vegetais pode ter problemas para suprir a demanda projetada para 2030. A pesquisa identificou entraves sobre a disponibilidade de volume para o fornecimento global de ingredientes essenciais para a ind\u00fastria (como \u00f3leos, gorduras e prote\u00ednas). O estudo concluiu ainda a necessidade de investimento em infraestrutura, moderniza\u00e7\u00e3o das instala\u00e7\u00f5es de processamento existentes e colabora\u00e7\u00e3o entre os stakeholders do setor para que esse mercado prospere.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O CEO da Impossible Foods admite no estudo que uma transi\u00e7\u00e3o completa para um sistema alimentar \u00e0 base de plantas enfrentar\u00e1, sim, v\u00e1rios obst\u00e1culos e desafios porque carne, latic\u00ednios e ovos s\u00e3o um componente importante da dieta humana e a cria\u00e7\u00e3o de gado \u00e9 parte integrante das economias rurais em todo o planeta. Quase 2 bilh\u00f5es de pessoas, a maioria no Sul Global, criam seus pr\u00f3prios animais para alimenta\u00e7\u00e3o e renda &#8211; embora comam muito menos carne do que os consumidores de na\u00e7\u00f5es ricas. Essas pequenas fazendas produzem cerca de 80% dos alimentos consumidos na \u00c1sia e na \u00c1frica Subsaariana, mas estas regi\u00f5es apresentam os menores \u00edndices de consumo per capita por ano de carne do globo (\u00c1sia: 26.6kg e \u00c1frica (toda): 13.0kg).<\/p>\n\n\n\n<p>Por esses motivos, Brown e Eisel apontam o Ocidente como o principal respons\u00e1vel pelas altas emiss\u00f5es do setor de alimentos e, assim como o estudo da Nature Food, concluem que o foco da transi\u00e7\u00e3o alimentar deve estar nesses pa\u00edses que, representando 68% do PIB global, \u00e9 onde a mudan\u00e7a causaria o maior impacto positivo para o clima. Contudo, \u00e9 importante dividir a responsabilidade dessa transi\u00e7\u00e3o alimentar globalmente. Essa \u00e9 uma mudan\u00e7a que, para ser efetiva, precisa acontecer do lado de quem produz e de que consome.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Mas, por mais que os consumidores estejam demonstrando entusiasmo com os alimentos feitos de plantas, que replicam cada vez melhor sabor, textura e nutri\u00e7\u00e3o das vers\u00f5es convencionais e com pre\u00e7os cada vez mais competitivos, ser\u00e1 que basta contar com a tomada de consci\u00eancia do consumidor? As abordagens orientadas para o mercado podem fazer muito, mas ser\u00e3o suficientes para garantir o cumprimento de metas clim\u00e1ticas?<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 inevit\u00e1vel pensar que os governos precisar\u00e3o agir e elaborar, por exemplo, pol\u00edticas para ajustar a pecu\u00e1ria a um modelo de produ\u00e7\u00e3o mais sustent\u00e1vel. Isso foi feito &#8211; de forma intensiva &#8211; com o setor de energia e de transportes nos \u00faltimos anos. E enquanto outras tecnologias \u201camigas do clima\u201d (como baterias e energias renov\u00e1veis) j\u00e1 s\u00e3o discutidas regularmente em f\u00f3runs globais, como no Clean Energy Ministerial (CEM), onde as principais economias do mundo, em parceria \u00fanica, trabalham em conjunto para acelerar a transi\u00e7\u00e3o global de energia limpa, isso parece ainda ser um desafio para o setor de alimentos.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma das explica\u00e7\u00f5es pode estar no fato de que o potencial da contribui\u00e7\u00e3o das prote\u00ednas alternativas para cumprir as metas do Acordo de Paris tenha permanecido incompreendido at\u00e9 pouco tempo mas, com toda a ci\u00eancia revelada nos estudos recentes, esse potencial n\u00e3o pode mais ser subestimado. H\u00e1 muito a ser feito em n\u00edvel internacional e, de acordo com um relat\u00f3rio do GFI com o Climate Advisers, as prioridades dos l\u00edderes pol\u00edticos deveriam ser financiar a ci\u00eancia de acesso aberto, incentivar a Pesquisa e o Desenvolvimento (P&amp;D) do setor privado e apoiar a infraestrutura para fabrica\u00e7\u00e3o de carnes cultivadas e feitas de plantas.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto isso n\u00e3o acontece, o mercado tem investido em solu\u00e7\u00f5es de curto prazo para incentivar a alimenta\u00e7\u00e3o \u00e0 base de plantas. S\u00e3o incont\u00e1veis os grandes e pequenos varejos, al\u00e9m de restaurantes e com\u00e9rcios locais, que t\u00eam colocado produtos vegetais em suas lojas ao redor do mundo. S\u00e3o in\u00fameras as empresas que est\u00e3o desenvolvendo produtos h\u00edbridos e s\u00e3o enormes os avan\u00e7os pelos quais o setor de carne cultivada tem passado recentemente.<\/p>\n\n\n\n<p>As gigantes do fast food e do varejo tamb\u00e9m n\u00e3o est\u00e3o ficando para tr\u00e1s &#8211; porque j\u00e1 entenderam que esses produtos vendem. O Panera Bread pretende tornar 50% do seu card\u00e1pio plant-based at\u00e9 2025. O mesmo vale para o Burger King do Reino Unido, que at\u00e9 2030 vai ter metade do menu com produtos feitos de planta para reduzir em 41% as suas emiss\u00f5es de GEE. No final de 2021, a rede Burger King tamb\u00e9m abriu sua primeira loja 100% vegetal em Madri. No Brasil, a rede conta com um sandu\u00edche feito de plantas em seu menu. O McPlant, hamb\u00farguer \u00e0 base de plantas do McDonald\u2019s, j\u00e1 \u00e9 vendido em 600 estabelecimentos. J\u00e1 a Tesco, uma gigante do varejo europeu, est\u00e1 no processo de aumentar suas vendas de alimentos \u00e0 base de plantas (como hamb\u00fargueres, salsichas, quiches, tortas e comidas prontas) em 300% at\u00e9 2025 para acompanhar as medidas que desenvolveu em parceria com a ONG WWF. No in\u00edcio deste ano, a KFC lan\u00e7ou o \u201cfrango frito vegetal\u201d em todos os pontos do Estados Unidos &#8211; depois do teste feito em Atlanta, em 2019, ter esgotado todo o produto em 5 horas. Ainda no Brasil, a rede Bob\u2019s tamb\u00e9m conta com um lanche feito \u00e0 base de plantas mimetizando o sabor de carne e frango.<\/p>\n\n\n\n<p>Todas essas a\u00e7\u00f5es mercadol\u00f3gicas s\u00e3o important\u00edssimas para impulsionar uma transi\u00e7\u00e3o alimentar porque tempo \u00e9 um luxo que n\u00e3o temos de sobra. Para Brown, \u201ca rapidez \u00e9 t\u00e3o importante quanto a magnitude. Todos os dias que n\u00e3o estamos fazendo algo a respeito, estamos avan\u00e7ando mais no caminho para danos irrevers\u00edveis\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>E a quest\u00e3o da pressa toca em outro ponto extremamente importante: o respeito aos animais. Mais de 70 bilh\u00f5es de animais terrestres s\u00e3o consumidos todos os anos e os consumidores est\u00e3o cada vez mais atentos e preocupados com a maneira que isso est\u00e1 sendo feito. A Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) aprovou no come\u00e7o de mar\u00e7o de 2022, durante assembleia em Nair\u00f3bi, no Qu\u00eania, uma resolu\u00e7\u00e3o que inclui o bem-estar animal como pol\u00edtica essencial no Programa das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA). A proposta foi aprovada pelos 193 pa\u00edses-membros. Antes da assembleia, um grupo de 27 organiza\u00e7\u00f5es, que juntas representam mais de 1 milh\u00e3o de membros, enviaram uma carta ao Minist\u00e9rio do Meio Ambiente solicitando que o pa\u00eds votasse a favor da resolu\u00e7\u00e3o. O The Good Food Institute Brasil foi um dos signat\u00e1rios da carta.<\/p>\n\n\n\n<p>A carta solicitou que \u201cos Estados-membros protejam a vida selvagem e outros animais n\u00e3o-humanos, considerando o crescente consenso de que o bem-estar animal e a prote\u00e7\u00e3o dos ecossistemas est\u00e3o intrinsecamente relacionados com alguns dos mais significativos desafios enfrentados pela comunidade global atualmente &#8211; incluindo a redu\u00e7\u00e3o do risco de novas e emergentes infec\u00e7\u00f5es por doen\u00e7as zoon\u00f3ticas, a mitiga\u00e7\u00e3o das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e de outras amea\u00e7as ambientais &#8211; e assegurando sistemas alimentares seguros e sustent\u00e1veis\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>O texto ainda menciona que o bem-estar animal \u00e9 uma importante preocupa\u00e7\u00e3o para os cidad\u00e3os do Brasil e ao redor do mundo. De acordo com uma pesquisa de setembro de 2021 do instituto Datafolha, 88% dos brasileiros se importam em maior ou menor grau com o sofrimento dos animais nas fazendas, o que representa 9 em cada 10 brasileiros acima de 16 anos, ou aproximadamente 148 milh\u00f5es de pessoas. Al\u00e9m disso, tamb\u00e9m foi apontado que 84% dos consumidores comprariam em outro lugar caso soubessem que o estabelecimento vende produtos de fazendas originados de pr\u00e1ticas cru\u00e9is. Em 2020, 50% dos brasileiros j\u00e1 haviam reduzido o consumo de carne, segundo pesquisa do GFI Brasil com o IBOPE.<\/p>\n\n\n\n<p>Seja pela compaix\u00e3o, pela empatia, pela consci\u00eancia ambiental, pela preocupa\u00e7\u00e3o social, pelo sabor, pela sa\u00fade ou por todas as alternativas anteriores, o que importa \u00e9 que mais e mais pessoas est\u00e3o mudando suas dietas e descobrindo que essa transi\u00e7\u00e3o pode ser, al\u00e9m de necess\u00e1ria, incr\u00edvel e deliciosa, ao mesmo tempo em que come\u00e7am a perceber que o garfo \u00e9 uma importante ferramenta pol\u00edtica e que os alimentos que botamos no prato s\u00e3o um voto pelo mundo que queremos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um novo estudo publicado pela PLOS Climate mostra que se a produ\u00e7\u00e3o global de carne e latic\u00ednios for gradualmente reduzida at\u00e9 zerar durante os pr\u00f3ximos 15 anos, ser\u00e1 o mesmo que &#8220;cancelar&#8221; as emiss\u00f5es de gases de efeito estufa (GEE) geradas por todos os outros setores econ\u00f4micos por 30 a 50 anos No final de [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":15,"featured_media":8760,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"pmpro_default_level":""},"categories":[145],"tags":[],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v19.6.1 - 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