O iFood iniciou nesta segunda-feira, 1, sua primeira operação de delivery por drones na Grande São Paulo, em uma rota que liga o Shopping Iguatemi Alphaville a um condomínio, em Barueri. O trajeto aéreo de aproximadamente 3,6 quilômetros será realizado via drones da Speedbird Aero (investida do Ifood) e atenderá inicialmente cerca de 2,5 mil moradores. Segundo a empresa de entregas, a nova modalidade não terá cobrança adicional de frete para os consumidores. A previsão é que os pedidos cheguem em 5 minutos após a decolagem.
A iniciativa marca a entrada do serviço em São Paulo, que tem intenso tráfego aéreo e detém a maior frota urbana de helicópteros do mundo. Segundo Rodolfo Klautau, diretor de Logística do iFood, a companhia pretende inaugurar pelo menos mais uma rota até o fim deste ano. Rio de Janeiro, Salvador e Recife estão entre as cidades avaliadas, além de outras localidades (em estudo). “A gente gostaria de lançar pelo menos mais uma rota ainda até o final deste ano”, afirmou o executivo.
A operação foi desenhada para resolver um problema específico da região de Alphaville. De acordo com Klautau, muitos entregadores evitam aceitar pedidos destinados a grandes condomínios por causa do tempo perdido nos processos de identificação e acesso às portarias. Em alguns casos, a taxa de rejeição dessas entregas chega a quase 50%, afetando a disponibilidade do serviço e aumentando o tempo de espera dos consumidores.
“O drone resolve esse problema porque o nosso ponto de recebimento das entregas já é feito dentro do condomínio. O entregador dedicado já está lá dentro e não precisa passar por esse controle”, disse o diretor. Segundo ele, a expectativa é aumentar a confiabilidade das entregas, reduzir o tempo de alocação dos pedidos e tornar a operação mais eficiente para consumidores, restaurantes e entregadores.
A rota funciona em um modelo multimodal. Após o preparo do pedido no shopping, a encomenda é levada até o ponto de decolagem pelo robô Ada, do Ifood, e segue via drone até uma área de pouso dentro do condomínio. O iFood reforçou no evento de lançamento dos dois primeiros drones para SP que a tecnologia não substitui os entregadores, mas busca aumentar a produtividade e destravar regiões consideradas mais difíceis para a logística tradicional.
A companhia já opera uma rota em Aracaju (SE) desde o ano passado. No caso sergipano, o drone foi utilizado para superar uma barreira geográfica causada por um rio que separava consumidores e restaurantes. Segundo o iFood, a experiência ajudou a ampliar vendas dos estabelecimentos e serviu como base para a expansão da tecnologia para São Paulo. Foram cinco mil atendimentos desde que a entrega por drone foi iniciada em Sergipe.
Klautau afirmou que a expansão futura continuará baseada na identificação de problemas logísticos concretos. “A gente está sempre procurando quais são as próximas rotas e cidades que fazem sentido. Primeiro analisamos se existe volume de pedidos suficiente e se há um problema logístico que hoje não é resolvido pela entrega tradicional”, disse. Qualquer nova operação dependerá da análise e aprovação dos órgãos reguladores.
Capacidade de transporte e velocidade
O drone utilizado possui capacidade para transportar até 5 quilos, voa a cerca de 50 km/h e opera a uma altitude de até 60 metros. O equipamento conta com GPS, paraquedas de emergência e suporte para ventos de até 55 km/h, além de chuvas leves. Toda a operação é acompanhada por um centro de controle da Speedbird Aero em Franca (SP). A nova rota em Barueri funciona diariamente, das 10h30 às 22h30.
Perguntas e respostas sobre o uso do drone para fins de entrega no Brasil
Quem autoriza um drone a voar?
A operação depende de aprovação da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) e do Decea (Departamento de Controle do Espaço Aéreo), responsável pelo gerenciamento do tráfego aéreo brasileiro.
O drone é totalmente autônomo?
O voo é automatizado, mas monitorado por operadores humanos em um centro de controle. A aeronave segue rotas previamente programadas e supervisionadas em tempo real.
O que acontece se o drone perder o sinal?
Existem protocolos automáticos de segurança. O equipamento possui redundâncias de comunicação e procedimentos programados para situações de falha.
E se o drone apresentar uma pane durante o voo?
Segundo a Speedbird Aero, os equipamentos contam com sistemas de segurança e paraquedas de emergência para minimizar riscos em caso de falha crítica.
O drone pode voar na chuva?
Sim, mas dentro de limites operacionais. O modelo utilizado suporta ventos fortes e chuvas leves. Condições climáticas severas podem suspender as operações.
Qual é a autonomia da aeronave?
Os drones utilizados pelo iFood podem percorrer até cerca de 10 quilômetros em uma operação de ida e volta, com autonomia superior à necessária para a rota atual em Barueri.
O consumidor paga mais caro por uma entrega feita por drone?
Não. Segundo o iFood, não há cobrança adicional de frete por causa da utilização da tecnologia.
Quais cidades estão no radar do Ifood?
O iFood confirmou que estuda novas rotas e cidades. Rio de Janeiro, Salvador e Recife estão no radar, mas qualquer expansão depende de aprovação regulatória.


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